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A ativista política e feminista Amelinha Teles morreu nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, aos 81 anos. Presa em 1972, ela foi levada à Operação Bandeirantes, onde passou por sessões de tortura.
Por Robson Silva Moreira
Prisão e tortura durante a ditadura militar
Amelinha Teles foi presa em 28 de dezembro de 1972 e levada à Operação Bandeirantes (Oban), onde sofreu torturas. Ela foi castigada pelo major do exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, então comandante do DOI-Codi de São Paulo.
Seu marido, César Augusto Teles, e seu companheiro de militância, Carlos Nicolau Danielli, também foram levados ao órgão de repressão. Amelinha testemunhou o assassinato de Danielli. Seus filhos, Edson e Janaína, com 4 e 5 anos de idade, foram sequestrados e levados à Oban, onde viram os pais serem torturados.
Luta feminista e contribuições legais
Amelinha Teles participou do Jornal Brasil Mulher na década de 1970 e teve papel importante na efetivação da Lei Maria da Penha. Ela atuou como advogada e formadora de Promotoras Legais Populares.
Reflexões sobre a ditadura e a democracia
Amelinha Teles foi entrevistada no podcast Perdas e Danos, da Empresa Brasil de Comunicação, onde refletiu sobre a importância de enfrentar o passado ditatorial. Ela participou de uma pesquisa coordenada pela Universidade Federal de São Paulo sobre responsabilidades de empresas por violações de direitos durante a ditadura.
Em suas reflexões, Amelinha destacou a perda coletiva que a morte de uma lutadora democrática representa. ‘Cada pessoa que é assassinada, que está na luta junto com a gente, que a gente não volta mais a falar com ela, é nossa experiência de construção dos valores democráticos que nós perdemos.’
Homenagens e legado
A Rede de Desenvolvimento Humano postou uma homenagem a Amelinha no Instagram, destacando sua coragem, memória e resistência. ‘Hoje perdemos nossa companheira Amelinha Teles, mas a história da luta das mulheres brasileiras perde muito mais do que uma militante: perde uma mulher que fez da coragem, da memória e da resistência uma forma de vida.’


