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Pesquisa do Data Favela revela que 56% dos negócios nas comunidades surgiram a partir da pandemia de covid-19, impulsionados pela necessidade de renda extra e desemprego. O setor de alimentação lidera, mas a gestão ainda é precária: a maioria anota gastos em cadernos e enfrenta dificuldades de acesso ao crédito.
Por Gazeta News Guarulhos | O validador oficial da cidade
A Gazeta News Guarulhos traz os dados mais recentes sobre a economia das comunidades, um motor que movimenta bilhões no Brasil. Um levantamento realizado pelo instituto Data Favela, encomendado pela VR, aponta que a crise sanitária iniciada em 2020 foi o ponto de partida para a maioria dos atuais empreendedores desses territórios.
De acordo com o estudo, 56% dos negócios em favelas começaram a funcionar a partir de fevereiro de 2020. Deste total, 12% abriram as portas durante a fase mais crítica da pandemia (até abril de 2022), enquanto 44% foram estabelecidos após o fim do estado de emergência.

Necessidade como Motor da Inovação
Para muitos, empreender não foi uma escolha planejada, mas uma resposta ao desemprego. Cleo Santana, do Data Favela, explica que a perda de postos de trabalho forçou as pessoas a se reinventarem para garantir o sustento básico.
“Por que não tornar aquela torta que era feita nas festas de família em um produto cuja venda traz renda para dentro de casa?” — Cleo Santana, Data Favela.
As principais motivações citadas pelos entrevistados foram:
Desejo de independência: 45%;
Necessidade econômica: 29%;
Falta de emprego: 26%.
Faturamento e Gestão: A Realidade Financeira
A pesquisa traça um perfil financeiro desafiador. Em cada 10 empreendedores de comunidades, cinco faturam até R$ 3.040,00 por mês.
23% faturam até um salário mínimo (base de referência da época: R$ 1.518);
28% faturam entre um e dois salários mínimos;
Apenas 5% possuem receita superior a R$ 15,2 mil.
O Desafio do Lucro Real O levantamento alerta para a margem de lucro apertada: 57% dos estabelecimentos gastam cerca de R$ 3.040 mensais apenas para manter o negócio funcionando, o que sugere que os gastos muitas vezes equivalem a todo o faturamento.
O “Caderninho” e o Marketing Digital
A gestão formal ainda é um obstáculo. A pesquisa identificou que 59% dos empreendedores administram o negócio apenas com anotações em caderno, enquanto 13% não registram absolutamente nada.
Por outro lado, a digitalização chegou forte na divulgação. O marketing acontece principalmente nas redes:
Instagram: Usado por 75% dos empreendedores;
WhatsApp: Ferramenta de venda para 58%;
Facebook: Utilizado por 41%.
Baixo Investimento Inicial e Setores em Alta
A barreira de entrada financeira é baixa, o que facilita o início, mas limita o crescimento.
37% abriram o negócio com até R$ 1.520;
57% utilizaram economias pessoais ou da família para começar.
Os setores que dominam as favelas são Alimentação e Bebidas (45%), seguidos por Moda (12%) e Beleza (13%).
Impacto Econômico
As comunidades brasileiras são potências econômicas, movimentando cerca de R$ 300 bilhões por ano. O fortalecimento desses pequenos negócios gera um ciclo virtuoso, onde empreendedores locais compram de outros produtores da região, desenvolvendo o território.
EMPREENDEDORISMO NA PERIFERIA: Pandemia impulsionou 56% dos novos negócios nas favelas, aponta pesquisa
Pesquisa do Data Favela revela que 56% dos negócios nas comunidades surgiram a partir da pandemia de covid-19, impulsionados pela necessidade de renda extra e desemprego. O setor de alimentação lidera, mas a gestão ainda é precária: a maioria anota gastos em cadernos e enfrenta dificuldades de acesso ao crédito.
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