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A proibição das empresas de apostas online, as bets, no Brasil, trouxe alívio a milhares de pessoas que se endividaram e adoeceram por causa do vício em jogos. Apenas no ano passado, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas.
Por Robson Silva Moreira
Histórias de superação e sofrimento
Kaio, de 42 anos, é um dos muitos brasileiros que tiveram suas vidas devastadas pelas dívidas de jogo. Ele perdeu carro, casa e emprego, e hoje mora sozinho em um dormitório em Goiás, temendo por sua segurança.
Kaio reconhece que o vício em jogos nos últimos seis anos transformou sua vida. Ele busca ajuda em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), onde participa de grupos terapêuticos e toma três remédios diariamente.
Regulamentação e proibição das bets
A Medida Provisória 1394, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, proibiu as bets no país. A regulamentação, aprovada em 2018, só entrou em vigor em dezembro de 2023, permitindo que as plataformas operassem sem regras por cinco anos.
A lei previa avisos de desestímulo ao jogo e advertências sobre seus malefícios, mas essas medidas não foram seguidas pelas empresas.
Impacto financeiro e social
As perdas bilionárias das famílias brasileiras com as bets equivalem a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias. No mesmo período, as bets movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações via Pix.
Adolescentes também foram afetados, com 20,4% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental e médio admitindo já ter feito apostas online.
Riscos à saúde mental
Os profissionais de saúde constataram sinais de desesperança, aumento do uso de álcool e mudanças de comportamento entre apostadores. A ideação suicida foi um dos problemas mais graves observados.
O Ministério da Saúde anunciou que aumentará os esforços para contatar apostadores contumazes, oferecendo acompanhamento e tratamento.


