Por Robson Silva Moreira 16:15:51
Uma nova prótese permite que usuários se comuniquem em tempo real apenas pensando no que querem dizer, alcançando a velocidade de uma conversa natural.
Cientistas desenvolvem um implante cerebral inovador que decodifica a “fala interior”, permitindo que pessoas com dificuldades de comunicação gerem texto e voz a partir de seus pensamentos.

Cientistas estão celebrando um marco na área de neuropróteses com o desenvolvimento de um novo dispositivo cerebral capaz de traduzir o pensamento diretamente em fala e escrita. Chamadas de interfaces cérebro-computador (ICCs), essas ferramentas já existiam, mas exigiam que o usuário tentasse fisicamente articular as palavras, um processo lento e exaustivo.
O avanço agora permite a comunicação por meio do que os pesquisadores chamam de “fala interior”. Os usuários, que já possuem sensores implantados no córtex motor do cérebro, agora precisam apenas pensar na frase que desejam e ela aparece em uma tela em tempo real. O dispositivo consegue decodificar essa ativação cerebral, traduzindo-a com base em um vasto dicionário de 125.000 palavras.
A pesquisadora Erin Kunz, da Universidade Stanford, uma das principais autoras do estudo, destaca a importância da nova tecnologia. Ela afirma que o objetivo é criar um sistema que seja confortável e atinja uma capacidade de comunicação naturalista. O método anterior, que exigia que os usuários inspirassem para formar as palavras, tornava o processo difícil para aqueles com problemas respiratórios. Com a nova tecnologia, os participantes do estudo conseguiram se comunicar a uma velocidade de 120 a 150 palavras por minuto, uma taxa similar à de uma conversa normal.

Para Kunz, a pesquisa é profundamente pessoal. Seu pai, que tinha esclerose lateral amiotrófica (ELA), perdeu a capacidade de falar, e a experiência a motivou a trabalhar no desenvolvimento de soluções que possam ajudar outras pessoas em situação semelhante. Para garantir a privacidade dos pensamentos, os pesquisadores criaram uma frase-código (“chitty chitty bang bang”) que, quando pensada, desativa o dispositivo.
