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Quatro em cada dez mulheres no Brasil já renunciaram a vagas de emprego ou oportunidades profissionais devido a dificuldades de deslocamento, segundo pesquisa da Indique, Think Eva e 99.
Por Robson Silva Moreira
Fatores que impedem o acesso ao trabalho
A pesquisa O Direito de Ir, Vir e Viver revelou que 39% das mulheres já abriram mão de empregos por dificuldades de deslocamento. Entre os principais fatores estão a falta de segurança, o custo do transporte, o tempo gasto e a distância dos locais de trabalho.
A insegurança ou violência é o principal impedimento, citado por 32% das entrevistadas. A falta de dinheiro aparece em segundo lugar, com 22%, seguida pela precariedade do transporte público, mencionada por 15%, e a distância dos lugares onde precisam ir, indicada por 14%.
Impacto nas atividades sociais e de bem-estar
Além das dificuldades no âmbito profissional, as mulheres também abdicam de atividades sociais e de bem-estar. Oito em cada dez (80%) faltaram a encontros, eventos ou atividades. Um terço (33%) renunciou a atividades físicas ou de lazer, e 32% a visitas a familiares e amigos. O dobro (69%) evita sair à noite.
A pesquisa entrevistou 564 mulheres de diferentes idades, classes e regiões do país, mostrando que a sensação de insegurança faz com que a maioria evite certos bairros ou regiões da cidade (87%) e planeje horários (73%).
Assédio sexual e opções de transporte
O estudo constatou que 89% das mulheres relatam ter sido vítimas de assédio sexual em pelo menos um tipo de veículo. Ônibus (68,8%), deslocamentos a pé (60,8%) e metrô ou trem (50,2%) são os mais citados. Bicicleta e moto por aplicativo aparecem como menos vulneráveis, mas ainda são mencionados por 6,6% e 4,1% das participantes.
Carros por aplicativo são a opção recorrente de oito em cada dez mulheres ouvidas (80%), apesar de custarem mais caro para 67% das entrevistadas de periferias e áreas com desfalques estruturais e de transporte.
Mulheres como cuidadoras e a mobilidade urbana
A pesquisa também destacou que 54% das entrevistadas exercem o cuidado sozinhas, o que inclui trajetos para escola, consultas médicas e compras. Quarenta e três por cento planejam sozinhas os percursos relacionados ao cuidado, e 44% escolhem o veículo com base nessas responsabilidades.
Os carros por aplicativo são acionados por 53% das mulheres quando transportam dependentes, como filhos, idosos ou pessoas com deficiência.


