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Por Rafael Pedrosa
O celular deixou de ser apenas um aparelho de comunicação. Hoje, ele concentra banco, trabalho, estudos, documentos, entretenimento, compras e boa parte da vida digital das pessoas.
E existe um mercado que cresce ao redor de tudo isso: a manutenção de celulares.
Levantamentos da FGV mostram que o Brasil possui uma das maiores bases de smartphones do mundo, com cerca de 272 milhões de aparelhos em uso — aproximadamente 1,3 smartphone por habitante.
Ao mesmo tempo, milhões de novos aparelhos continuam chegando às mãos dos brasileiros. Dados da indústria apontaram aproximadamente 36,8 milhões de celulares comercializados no Brasil em 2025.
Mas existe uma parte dessa história que começa justamente depois da venda.
Todo smartphone colocado em circulação passa a fazer parte de um enorme mercado de pós-venda, assistência e reparação.
Tela quebrada, bateria degradada, conector, câmera, software e defeitos em componentes internos estão entre as situações que levam consumidores às assistências técnicas.
E quanto maior a quantidade de aparelhos circulando, maior é o ecossistema necessário para mantê-los funcionando.
Um aparelho que custa milhares de reais não é simplesmente descartado
Os smartphones também ficaram mais sofisticados e, em muitos casos, mais caros.
Isso cria uma decisão econômica importante para o consumidor: diante de determinados defeitos, reparar um aparelho pode ser muito mais acessível do que substituí-lo imediatamente por um novo.
Além disso, a troca de bateria, tela ou outros componentes pode prolongar a vida útil do dispositivo.
É nesse cenário que o profissional de manutenção ganha importância.
Existe ainda uma característica interessante nesse mercado: enquanto fabricantes disputam quem venderá o próximo smartphone, o técnico trabalha com aparelhos de praticamente todas as gerações que continuam circulando.
Um aparelho vendido há alguns anos ainda pode chegar hoje a uma bancada.
Da bancada para um negócio de R$ 78 mil
Foi trabalhando nesse mercado que comecei a enxergar algo além do reparo.
Aprendi que uma assistência técnica não depende somente de saber abrir um aparelho ou substituir uma peça.
Atendimento, experiência do cliente, organização, precificação, vendas, gestão, estrutura e posicionamento também fazem parte do negócio.
Ao longo da minha trajetória, estruturei uma assistência técnica e posteriormente vendi essa operação por R$ 78 mil.
O valor da negociação foi importante, mas o maior aprendizado veio de outra percepção:
uma assistência bem estruturada pode deixar de ser apenas um local onde celulares são consertados e se transformar em um negócio com valor próprio.
Clientes, reputação, estrutura, processos, equipamentos e capacidade de gerar receita também ajudam a construir valor.
Foi quando percebi que eu não havia construído apenas uma bancada.
Eu havia construído um ativo comercial.
Uma profissão que acompanha um mercado gigantesco
Os números de smartphones no Brasil ajudam a dimensionar o tamanho do ecossistema.
Estamos falando de centenas de milhões de aparelhos em utilização e dezenas de milhões de unidades comercializadas em apenas um ano.
Naturalmente, nem todos precisarão de manutenção.
Mas cada smartphone possui componentes sujeitos a desgaste, acidentes e falhas durante sua vida útil.
Isso significa que a atividade do técnico não está ligada somente à venda de celulares novos.
Ela acompanha o estoque inteiro de aparelhos que permanece em circulação.
O smartphone pode mudar.
As marcas podem mudar.
As tecnologias certamente mudarão.
Mas enquanto esses aparelhos continuarem presentes na vida das pessoas, continuará existindo demanda por diagnóstico, conservação e reparo.
O técnico também precisa evoluir
Ao mesmo tempo, o próprio setor de manutenção está se tornando mais complexo.
Os smartphones modernos possuem sistemas avançados de câmeras, reconhecimento facial, carregamento sem fio, componentes cada vez menores e maior integração entre hardware e software.
Por isso, conhecimento técnico sem atualização perde valor rapidamente.
O profissional precisa acompanhar novas tecnologias, ferramentas e procedimentos.
Mas existe outra evolução igualmente importante.
O técnico que deseja empreender também precisa aprender a pensar como empresário.
Não basta saber consertar.
É necessário entender o cliente, calcular custos, formar preço, organizar processos, administrar estoque, vender e construir reputação.
Uma oportunidade para uma geração que já nasceu conectada
Existe uma geração inteira que cresceu utilizando smartphones.
Para muitos jovens, tecnologia já faz parte da rotina desde muito cedo.
O que poucos percebem é que aquilo que hoje utilizam para entretenimento também pode se transformar em conhecimento profissional.
Um jovem pode começar aprendendo procedimentos básicos.
Depois avançar para diagnóstico e reparos mais complexos.
E, se tiver perfil empreendedor, pode utilizar esse conhecimento para prestar serviços e futuramente estruturar sua própria operação.
Não significa que todo técnico necessariamente abrirá uma empresa.
Mas significa que essa habilidade pode oferecer diferentes caminhos profissionais.
Minha própria trajetória mostrou isso.
Comecei olhando para manutenção.
Depois passei a olhar para estrutura, experiência do cliente e negócio.
Até chegar ao momento em que uma assistência que havia sido construída e estruturada pôde ser negociada por R$ 78 mil.
Muito além de consertar celulares
Foi dessa experiência que nasceu a visão que hoje quero transmitir para novos profissionais:
manutenção + estrutura de assistência + visão empresarial.
Porque saber reparar um smartphone é uma habilidade.
Saber transformar essa habilidade em uma profissão exige outro nível de conhecimento.
E construir uma operação que tenha valor mesmo além do trabalho do próprio técnico exige visão empresarial.
Quando olho para os 272 milhões de smartphones em uso no Brasil, não vejo apenas aparelhos.
Vejo um enorme ecossistema de consumidores, empresas, peças, serviços e profissionais que existe para manter toda essa tecnologia funcionando.
O smartphone já faz parte do presente.
A oportunidade está em preparar os profissionais que cuidarão dele no futuro.
Rafael Pedrosa
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