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Um ano após a Operação Contenção, que deixou 122 mortos, incluindo cinco policiais, as investigações sobre as circunstâncias das mortes ainda não foram concluídas. A operação, realizada nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, foi a mais letal da história do Rio de Janeiro.
Por Robson Silva Moreira
Operação Contenção: a mais letal da história do Rio
Na madrugada de 28 de outubro de 2025, mais de 2,5 mil policiais civis e militares iniciaram uma operação nos complexos de favelas do Alemão e da Penha. A ação resultou em 121 mortes no primeiro dia, número que subiu para 122 com a morte de um policial em 22 de novembro.
A polícia divulgou que as 117 pessoas que não eram policiais morreram durante troca de tiros. No entanto, moradores e familiares relataram episódios de tortura e execução.
Investigações em andamento
Um ano após a operação, as investigações das polícias Civil e Federal e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) ainda não concluíram as circunstâncias das mortes.
O MPRJ colheu depoimentos de 255 policiais e 61 presos, além de ouvir 45 familiares das vítimas. Foram analisadas 4 mil horas de imagens de câmeras corporais, mas nem toda a atuação dos agentes foi registrada.
Casos atípicos e excessos cometidos por policiais
Dois casos chamaram a atenção dos peritos: uma morte por disparos a curta distância e uma decapitação. Ambos ainda estão em apuração.
Até junho deste ano, 27 policiais foram denunciados por crimes como desvio de fuzis, furtos e invasões de domicílio. Além disso, 17% das câmeras corporais foram desligadas propositalmente e 7,8% tiveram lentes obstruídas.
Relatório da CIDH aponta problemas na operação
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) divulgou um relatório apontando problemas na condução da operação e da investigação. Entre os problemas, estão o armazenamento inadequado dos corpos e a demora na liberação para os familiares.
O relatório também apontou lesões em 17 detidos e laudos inconclusivos para maus-tratos e tortura em outros 36. A CIDH questionou a desproporção entre o número de mortos policiais e não policiais, indicando a necessidade de exame rigoroso sobre o uso da força letal.


