Por Redação 13:21:27
Professor Dani Rodrik, Especialista em Desenvolvimento, Afirma que a Política Tarifária Americana não Gera Inovação nem Empregos de Qualidade.
O economista de Harvard, Dani Rodrik, critica a política de “tarifaço” do governo Trump, afirmando que a medida é ineficaz para gerar empregos e inovar, e pode ser “autodestrutiva” para os EUA.
Em uma análise contundente, o renomado economista e professor da Universidade de Harvard, Dani Rodrik, afirmou que a política de “tarifaço” adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é ineficaz e pode ser “autodestrutiva” para a economia americana. A declaração foi feita durante o seminário “Globalização, Desenvolvimento e Democracia”, realizado no Rio de Janeiro.
Segundo Rodrik, as sucessivas taxações sobre produtos importados, incluindo itens do Brasil, não servem para incentivar a indústria local ou garantir empregos de qualidade para a classe média. Para ele, o problema da “América de Trump” não é o nacionalismo econômico em si, mas a falta de políticas que realmente sirvam aos interesses do país.

Rodrik explica que, embora as tarifas possam aumentar a arrecadação e os lucros de algumas empresas, isso não se traduz automaticamente em inovação, investimentos ou contratação de mão de obra bem remunerada. Ele argumenta que os lucros extras podem ser revertidos para gerentes e acionistas, sem beneficiar a população em geral.
A crítica do economista é relevante para o Brasil, já que as exportações brasileiras também foram alvo da política tarifária de Trump, com um imposto de 50% sobre parte das mercadorias enviadas aos EUA. Em resposta, o governo brasileiro divulgou o Plano Brasil Soberano para mitigar o impacto nos produtores nacionais.
O professor defende que as tarifas devem ser medidas temporárias e associadas a ações internas que estimulem a economia, como políticas sociais e de inovação. Ele cita a China como um exemplo de modelo de crescimento, onde as políticas de desenvolvimento econômico foram bem planejadas.

Outro participante do evento, Alex Soros, presidente do Conselho da Open Society, também criticou a política de Trump, mencionando o fechamento da Usaid, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, e o impacto negativo nas ações humanitárias em todo o mundo. A Open Society anunciou que apoiará iniciativas na América Latina, com foco em populações historicamente marginalizadas, como indígenas, comunidades afrodescendentes e mulheres.