Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br. Fonte original: agenciabrasil.ebc.com.br.
O Quilombo Urbano Ferreira Diniz, localizado na Glória, zona sul do Rio de Janeiro, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A comunidade, que abriga 14 famílias, é conhecida pela tradicional feijoada da Tia Cida e representa um ponto de resistência contra a especulação imobiliária.
Por Robson Silva Moreira
Histórico e reconhecimento da comunidade
As famílias Ferreira e Diniz estão no terreno desde a década de 1950, quando Maria Isabel Ferreira, descendente de africanos escravizados de Minas Gerais, se mudou para o casarão principal. A comunidade foi reconhecida como quilombola pela Fundação Cultural Palmares em 2023.
O quintal da comunidade, com diversas árvores frutíferas, é um ponto de encontro e polo gastronômico, onde a feijoada da Tia Cida atrai visitantes e ajuda a sustentar a comunidade.
Importância do tombamento pelo Iphan
O tombamento pelo Iphan cobre toda a área do terreno, incluindo o quintal e os casarões, e visa proteger a comunidade contra a especulação imobiliária e a gentrificação. A medida também reconhece a importância histórica e cultural do quilombo.
A superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Patricia Corrêa, destacou que o tombamento cumpre funções jurídicas, territoriais, simbólicas e reparatórias, garantindo a permanência da comunidade no local.
Resistência e cultura no Quilombo Ferreira Diniz
A comunidade organiza diversas atividades culturais, como festas religiosas, rodas de capoeira e celebrações de aniversários. O quintal é o coração da comunidade, onde crianças brincam e moradores se reúnem.
O principal casarão, de estilo neoclássico, abriga as moradias das famílias e necessita de reformas para oferecer melhores condições de vida.
Expectativas e próximos passos
A presidenta da Associação da Comunidade do Ferreira Diniz, Érida Ferreira, espera que o tombamento impulsione o reconhecimento da posse coletiva do imóvel pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Um estudo técnico sobre a comunidade está sendo elaborado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e será entregue ao Incra até o final de 2026. A comunidade celebra o tombamento e planeja uma festa com roda de samba.


