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A proibição das apostas online no Brasil pode levar mais de 30 milhões de usuários a migrar para sites clandestinos, segundo estimativas da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). A medida, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode prejudicar empresas que investiram R$ 30 milhões em licenças e promete ser contestada na Justiça.
Por Robson Silva Moreira
Impacto nas empresas legalizadas
A decisão do governo federal de proibir as apostas online atinge diretamente empresas que passaram por um rigoroso processo de regulamentação. Cada autorização federal custou R$ 30 milhões e previa a exploração da atividade por cinco anos. Essas empresas realizaram investimentos significativos em tecnologia, estrutura de atendimento e contratação de profissionais.
A ANJL critica a medida, afirmando que a proibição interrompe o modelo de negócio antes do prazo previsto para as licenças e cria insegurança jurídica. A entidade anunciou que pretende recorrer à Justiça e avaliar pedidos de ressarcimento pelos investimentos realizados.
Risco de fortalecimento do mercado ilegal
O principal argumento contra a proibição total é que a demanda por apostas pode continuar existindo, mesmo com o encerramento das plataformas autorizadas. Usuários habituados a apostar pelo celular podem procurar sites estrangeiros ou clandestinos, que operam sem as mesmas obrigações e garantias das empresas legalizadas.
A ANJL sustenta que o fim da indústria regulada deixaria milhões de usuários expostos a operadores ilegais, sem mecanismos de verificação de idade, prevenção à lavagem de dinheiro e atendimento ao consumidor.
Perda de arrecadação e impactos econômicos
A extinção do mercado legal também afeta a arrecadação federal. Dados da Folha indicam que o setor gerou aproximadamente R$ 10 bilhões em 2025 e outros R$ 7,3 bilhões no primeiro semestre de 2026. A proibição pode resultar na perda dessas receitas, sem garantir a eliminação dos riscos financeiros e sociais associados às apostas.
A decisão também impacta atividades que dependem financeiramente do setor, como clubes de futebol, agências de publicidade e fornecedores de tecnologia. A interrupção dos patrocínios e contratos comerciais pode criar a necessidade de buscar novas fontes de receita.


