Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br. Fonte original: agenciabrasil.ebc.com.br.
As mudanças climáticas estão intensificando a disseminação de doenças infecciosas no Brasil, com aumento significativo de casos de dengue e febre do Oropouche em diversas regiões do país.
Por Robson Silva Moreira
Expansão da dengue em regiões mais frias
Desde a década de 1980, o Brasil registra surtos de dengue, mas apenas em 2007 o Rio Grande do Sul teve um caso autóctone. Em 2024, o estado registrou quase 210 mil infecções confirmadas e 281 mortes, um número recorde.
Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de dengue mais do que dobrou entre 2006 e 2024, atingindo 292 microrregiões, o que representa 54% do país.
Febre do Oropouche se espalha pelo país
A febre do Oropouche, que circulava quase exclusivamente na Região Amazônica até 2023, causou mais de 12 mil infecções no ano passado, em 23 estados e no Distrito Federal.
Especialistas acreditam que mudanças nos padrões de temperatura e chuvas, em conjunto com a degradação ambiental, tenham contribuído para a expansão da doença.
Impacto das mudanças climáticas em outras doenças
O infectologista Celso Granato alerta para surtos de doenças após eventos extremos, como secas e enchentes, que têm se tornado mais frequentes com as mudanças climáticas.
A leptospirose, transmitida pela urina de ratos, aumentou no Rio Grande do Sul após as chuvas de 2024. Já as secas representam um perigo diferente, com animais migrando para áreas urbanas e transmitindo doenças como o hantavírus.
Ameaça de doenças fúngicas
A professora Sarah Gonçalves Tavares, da Universidade Federal do Espírito Santo, alerta que as mudanças climáticas estão levando fungos a se adaptarem e se tornarem nocivos aos humanos.
A Candida auris, identificada pela primeira vez na década de 1990, apresenta duas características perigosas: consegue sobreviver em altas temperaturas e resistir por muito tempo no meio ambiente. No Brasil, foram registradas 24 ocorrências em 15 estados, todas em unidades de saúde.


