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A Mata Atlântica perdeu quase 10 milhões de hectares de vegetação madura nos últimos 41 anos, enquanto a área destinada à agricultura ganhou 11 milhões de hectares, segundo levantamento do MapBiomas divulgado nesta segunda-feira, Dia da Árvore.
Por Robson Silva Moreira
Áreas de vegetação secundária crescem, mas sofrem mais desmatamento
No mesmo período, o bioma ganhou mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária, áreas que voltaram a crescer depois de terem sido desmatadas. No entanto, os dados evidenciam que o desmatamento passou a incidir mais sobre essas áreas regeneradas.
Entre 2021 e 2025, foram suprimidos 1,2 milhão de hectares na Mata Atlântica: 700 mil hectares de vegetação secundária e 500 mil hectares de vegetação madura. Assim, 60% da supressão ocorrida nos últimos cinco anos atingiram áreas de vegetação secundária.
Rio de Janeiro e São Paulo são os únicos estados sem perda de vegetação nativa
Os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo foram os únicos que não apresentaram perda de vegetação nativa nos últimos 41 anos. A coordenadora técnica da Mata Atlântica do MapBiomas, Natália Crusco, destaca a importância de evitar o desmatamento no bioma, presente em 15 estados e considerado patrimônio nacional pela Constituição Federal.
A regeneração tem papel fundamental na recuperação da Mata Atlântica, seja por meio da restauração ou da recuperação natural de áreas degradadas. Ao mesmo tempo, é essencial evitar novas perdas de vegetação nativa, tanto madura quanto secundária, especialmente em um bioma tão fragmentado e historicamente pressionado pela ocupação humana.
Agricultura e silvicultura avançam sobre pastagens e áreas urbanizadas crescem
A área ocupada pela agricultura corresponde a aproximadamente 20,5 milhões de hectares, o que representa 19% da área total do bioma. Grande parte da expansão ocorreu sobre pastagens, que perderam cerca de 11 milhões de hectares no período.
A silvicultura apresentou aumento de 3,8 milhões de hectares, chegando a 4,9 milhões de hectares em 2025. Nesse ano, metade da silvicultura mapeada no país estava na Mata Atlântica. O Paraná e Santa Catarina concentravam 46% da área de silvicultura no bioma.
Áreas urbanizadas crescem 2,5 vezes entre 1985 e 2025
As áreas urbanizadas na Mata Atlântica cresceram 2,5 vezes entre 1985 e 2025. O acréscimo foi de 1,3 milhão de hectares, e a área total chegou a 2,3 milhões de hectares. Mais da metade, 52%, de toda a área urbanizada do Brasil estavam no bioma em 2025.
Os estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais registraram os maiores aumentos absolutos de áreas urbanizadas entre 1985 e 2025.


