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Israelenses votam nesta terça-feira (27) em uma eleição crucial que pode tirar Benjamin Netanyahu do poder após 19 anos no comando. A votação ocorre em um cenário de tensão, marcado pelo ataque do Hamas em outubro de 2023.
Por Robson Silva Moreira
Principais candidatos e suas propostas
Entre os favoritos para assumir o governo estão três partidos liderados por candidatos considerados linha-dura na área militar e de segurança: Benjamin Netanyahu, do Likud, Gadi Eisenkot, do Yashar, e Naftali Bennett, do Juntos. Nenhum deles reconhece a possibilidade de criação de um Estado palestino e todos defendem o desarmamento do Hamas.
Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, criticou a condução da operação militar na Faixa de Gaza por Netanyahu, acusando-o de negligenciar o resgate dos reféns. Bennett, por sua vez, tem perfil religioso e já foi primeiro-ministro por um ano, de 2021 a 2022.
Divergências sobre assentamentos na Cisjordânia
Os três principais candidatos divergem sobre a expansão dos assentamentos na Cisjordânia. Partidos de extrema-direita na coalizão liderada por Netanyahu incentivam assentamentos na Área B da Cisjordânia, o que é proibido pela legislação israelense e tem alimentado a violência na região.
A professora de relações internacionais Karina Stange Calandrin avalia que os adversários de Netanyahu devem frear essa política, o que pode contribuir para reduzir a violência nos territórios palestinos.
Desafios para a formação do governo
O sistema parlamentarista de Israel exige que os partidos mais votados formem maioria para criar o gabinete. A Knesset, o Legislativo israelense, tem 120 cadeiras, e a formação de uma coalizão pode ser difícil sem o apoio de partidos árabes.
A professora Karina Calandrin calcula que tanto o partido de Eisenkot quanto o de Bennett precisarão do apoio de legendas árabes para formar maioria, mas ambos já declararam que não farão aliança com os árabes israelenses.


