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A partir desta terça-feira, o Sesc Pompeia, em São Paulo, abriga a instalação ‘O Barco’, da artista portuguesa Grada Kilomba, que denuncia as marcas do tráfico transatlântico de africanos escravizados.
Por Robson Silva Moreira
A obra e sua provocação
A instalação ‘O Barco’ é composta por 134 blocos de madeira queimada dispostos em uma área de 220 metros quadrados, com 32 metros de comprimento. A peça desenha a silhueta do fundo de uma grande embarcação, revelando a arquitetura dos porões dos navios negreiros que acomodavam milhões de africanos escravizados.
A obra provoca o público a refletir sobre o que o fundo do oceano revelaria se fosse esvaziado de água hoje, mostrando a violência cíclica que continua a ocorrer.
A pesquisa e a inspiração
A instalação é resultado de uma extensa pesquisa da artista em botânica, história e travessias transatlânticas. Kilomba também se inspirou na tragédia de Antígona, questionando quem pode ser lembrado e quem é esquecido.
Para a artista, o oceano é um espaço de sepultamento de milhões de vidas perdidas, tanto no passado quanto no presente, devido a genocídios, massacres, crises climáticas e migrações forçadas.
A mensagem e a itinerância
A obra busca mostrar como a identidade moderna e europeia foi construída sobre uma história de violência, transformando a população africana em mercadoria. Kilomba destaca que, quando a história não é contada devidamente, a barbárie se repete.
‘O Barco’ já foi exposto em Lisboa, Londres e no Instituto Inhotim, em Minas Gerais. Agora, a instalação está no Sesc Pompeia, onde ficará até 25 de outubro, junto a outras duas obras da artista.


