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A fragmentação de dados e a falta de integração entre serviços são os principais obstáculos ao enfrentamento da violência contra as mulheres e à prevenção de feminicídios, segundo especialistas que participaram do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Por Robson Silva Moreira
Ameaças e agressões frequentemente precedem feminicídios
Ameaças, agressões e descumprimentos de medidas protetivas são sinais que frequentemente aparecem antes de um feminicídio. No entanto, a fragmentação dos serviços de atendimento a vítimas de violência faz com que oportunidades de intervenção sejam perdidas.
A promotora Silvia Chakian, do Ministério Público de São Paulo, destacou que a ausência de integração de dados estratégicos e as falhas na fiscalização das medidas protetivas transformam oportunidades de proteção em falhas que resultam em mortes de mulheres.
Integração de serviços é essencial para prevenir mortes
Para a promotora Silvia Chakian, as diferentes instituições que trabalham no combate à violência e no atendimento às vítimas precisam atuar de forma integrada.
O delegado Julio Guebert, professor da Academia de Polícia Civil de São Paulo, também defende que os serviços de atendimento às vítimas de violência operem em rede, conectando diferentes órgãos e profissionais.
Omissão do Estado agrava a situação
De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 72,9% dos municípios com menos de 100 mil habitantes não dispõem de nenhum serviço especializado de atendimento à mulher.
A promotora Silvia Chakian afirmou que a negligência e a omissão estatal no investimento e na destinação do orçamento público são fatores que contribuem para a falta de proteção às mulheres.
Subnotificação e falta de fiscalização das medidas protetivas
Os registros de feminicídios aumentaram 4,7% em 2025, na comparação com o ano anterior. A promotora Juliana Tocunduva destacou que a subnotificação dos casos de violência contra mulheres é uma das falhas do Estado no enfrentamento à violência doméstica.
Juliana mencionou que, em 2025, foram concedidas mais de 621 mil medidas protetivas, mas houve 135 mil descumprimentos dessas medidas.


