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COP17 termina com poucos avanços e adiamento de regime global contra secas

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COP17 termina com poucos avanços e adiamento de regime global contra secas

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br. Fonte original: agenciabrasil.ebc.com.br.

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A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) encerrou-se com poucos avanços concretos, afetada por disputas geopolíticas e limitações financeiras. A criação de um regime global contra as secas foi adiada e os valores de financiamento ficaram abaixo do necessário para conter a degradação da terra.

Por Robson Silva Moreira

Impasse geopolítico e adiamento de regime global contra secas

A COP17, realizada em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, teve como principal expectativa a criação de um regime global contra as secas, que foi adiada mais uma vez. Os Estados Unidos defendiam a suspensão total do debate, enquanto europeus propunham um acordo com mecanismos voluntários e africanos, apoiados pelo Brasil, queriam compromissos obrigatórios.

Ao fim, houve consenso para que a seca passe a ser um item permanente e independente da agenda das próximas conferências, evitando bloqueios futuros. As discussões continuarão no período entre a COP17 e a COP18, marcada para 2028 no Egito.

Financiamento insuficiente para conter degradação da terra

A questão financeira permaneceu como um dos principais desafios da conferência. Para cumprir os compromissos globais de restauração até 2030, seriam necessários cerca de US$ 355 bilhões por ano, mas o investimento atual é de aproximadamente US$ 77 bilhões anuais, deixando um déficit de US$ 278 bilhões por ano.

Durante a COP17, governos, bancos de desenvolvimento, fundos e empresas anunciaram uma carteira de US$ 1,3 bilhão para a restauração de terras e aumento da resiliência às secas, envolvendo 23 países em cinco continentes. Desse total, US$ 644,5 milhões são novos recursos, enquanto US$ 216,4 milhões já estão confirmados e avançam para a implementação.

Avanços paralelos e iniciativas de resiliência à seca

Um dos avanços anunciados foi a entrada em fase de implementação da Parceria Global de Resiliência à Seca de Riad, criada durante a COP16. A iniciativa pretende mobilizar até US$ 400 milhões em recursos públicos e privados para segurança hídrica, agricultura sustentável e recuperação de terras.

A COP17 também marcou o lançamento do Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF) e a segunda fase do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (IDRO), que apresentou o primeiro Índice de Resiliência à Seca (DRI).

Reconhecimento das pastagens e povos indígenas

A escolha da Mongólia como sede coincidiu com o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores. Os países reconheceram a importância das pastagens e dos conhecimentos tradicionais, mas esses ecossistemas continuam pouco presentes nas políticas climáticas e nos investimentos.

A COP17 marcou a primeira reunião formal dos novos grupos de representação de povos indígenas e comunidades locais dentro da convenção de combate à desertificação. Os indígenas defenderam maior proteção dos direitos territoriais, acesso direto a recursos financeiros e participação efetiva nas decisões.

Sobre o autor

ROBSON MOREIRA — Conteúdo publicado pela equipe editorial da Gazeta News Guarulhos.

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