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A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) terminou sem um acordo global para enfrentar as secas, frustrando organizações ambientais e especialistas.
Por Robson Silva Moreira
Adiamento das discussões sobre secas
A principal decepção da COP17 foi o adiamento das discussões sobre um acordo global para enfrentar as secas. O especialista do Instituto Escolhas, Rafael Giovanelli, afirmou que os governos jogaram para a COP18, no Egito, novas discussões sobre o problema.
A falta de consenso acontece em um momento em que o número de desastres pelo mundo não para de crescer. Richard Lee, representante da organização Wetlands Internacional, destacou que a Europa sofre com uma seca histórica e os níveis de água caíram a patamares recordes no Rio Colorado, nos Estados Unidos.
Impactos das secas e a falta de consenso
O chamado Super El Niño traz riscos de secas devastadoras do Sul da África até a Amazônia. Richard Lee avaliou que a decisão de adiar a discussão sobre as secas em mais dois anos custará mais do que tempo, afetando comunidades e economias em todo o mundo.
A especialista em políticas de água da WWF Global, Christine Colvin, destacou que iniciativas isoladas não são suficientes para combater as secas. Ela afirmou que é frustrante que a ambição sobre a seca tenha se esvaziado na COP17.
Proposta de acordo global e resistência dos países ricos
A proposta de criar um mecanismo multilateral para enfrentar as secas é defendida por africanos há pelo menos três conferências. Eles entendem que instrumentos internacionais, como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), são estruturados sob o tema de degradação das terras, algo mais amplo do que a seca.
Os países mais ricos, no entanto, não querem se comprometer com um acordo obrigatório e defendem adesão voluntária. A União Europeia, por exemplo, não quer se comprometer com gastos externos, principalmente quando precisa enfrentar crises recentes de seca no próprio território.
Iniciativas paralelas para combater as secas
Durante a COP17, foram lançadas iniciativas paralelas para lidar com o problema das secas. Uma delas é o Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF), que pretende mobilizar até US$ 400 milhões em recursos públicos e privados.
Outra novidade foi a segunda fase do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (IDRO), que apresentou o primeiro Índice de Resiliência à Seca (DRI). A ferramenta pretende ajudar os países a avaliar sua capacidade de antecipar, se preparar e se adaptar aos períodos de escassez de água.


