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O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) divulgou um guia com a rotina ideal de consultas oftalmológicas, que varia conforme a faixa etária e a presença de comorbidades. O documento foi lançado durante o 70º Congresso da especialidade, em Salvador.
Por Robson Silva Moreira
Recomendações por faixa etária
O guia do CBO estabelece intervalos mínimos de consulta para pessoas sem doenças oculares diagnosticadas e sem fatores de risco. Para recém-nascidos, o teste do reflexo vermelho deve ser realizado nas primeiras 72 horas de vida. Crianças de 0 a 36 meses devem repetir o teste nas consultas médicas, com avaliação dos marcos do desenvolvimento visual.
A primeira consulta oftalmológica completa deve ocorrer entre 6 e 12 meses. Para crianças de 3 a 5 anos, pelo menos uma consulta completa é recomendada antes da alfabetização. Na idade escolar e adolescência, a reavaliação periódica é essencial, especialmente entre 12 e 18 anos, devido ao aumento da miopia.
Adultos até 39 anos devem fazer avaliações periódicas, mesmo sem sintomas. A partir dos 40 anos, a consulta anual é recomendada. Idosos devem ter acompanhamento anual, com atenção reforçada para catarata senil e glaucoma.
Doenças crônicas e fatores de risco
Pacientes com diabetes devem ter avaliação com pupilas dilatadas desde o diagnóstico e acompanhamento regular. Gestantes diabéticas precisam de acompanhamento específico. Histórico familiar de glaucoma, outras doenças oculares, miopia e prematuridade também exigem avaliação antecipada e acompanhamento periódico.
O uso de corticoides, lentes de contato, canetas emagrecedoras, hipertensão arterial, doenças reumatológicas e autoimunes, além do tabagismo, são fatores que necessitam de vigilância oftalmológica. O documento destaca a importância de profissionais habilitados e ambiente adequado para os exames.
Importância do acompanhamento desde a maternidade
O documento defende que o acompanhamento oftalmológico deve começar na maternidade, com o teste do reflexo vermelho no berçário. Nos primeiros anos de vida, a avaliação dos marcos do desenvolvimento visual é crucial para prevenir deficiências visuais e problemas como a ambliopia.
Dados internacionais indicam que 40% das crianças cegas poderiam ter a cegueira evitada ou tratada com acesso a um oftalmologista no tempo certo. No Brasil, o CBO estima cerca de 1,5 milhão de pessoas cegas, número que tende a crescer com o envelhecimento da população.


