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O Brasil foi elogiado por sua meta de restaurar 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até 2030, mas enfrenta cobranças para transformar a promessa em realidade.
Por Robson Silva Moreira
Meta ambiciosa, mas desafiadora
A meta do governo brasileiro de restaurar 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até 2030 foi elogiada pelas Nações Unidas e por organizações da sociedade civil. A especialista em sistemas alimentares da WWF Global, Luiza Soares, chamou a meta de ‘ambiciosa’, mas destacou a necessidade de resultados concretos.
Para Soares, a implementação dos objetivos requer uma abordagem integrada no uso da terra, que envolva conservação e restauração de ecossistemas, recuperação da produtividade de áreas degradadas, manejo sustentável do solo e transformação dos sistemas alimentares agrícolas.
Participação das comunidades afetadas
A especialista da WWF Global enfatizou a importância de incluir as pessoas que vivem e dependem dessas terras. ‘Especialmente nos lugares onde a degradação afeta diretamente a segurança alimentar e hídrica, os meios de subsistência e a natureza’, disse Soares.
O conselheiro executivo da Rede para Restauração da Caatinga (ReCaa), Pedro Sena, afirmou que a sociedade deve acompanhar e fiscalizar o compromisso assumido pelo país durante a COP17.
Propostas para acelerar a restauração
O especialista do Instituto Escolhas, Rafael Giovanelli, sugeriu a regulamentação da Lei de Recuperação da Vegetação da Caatinga e a criação de uma Secretaria Especial de Recuperação da Caatinga e Combate à Desertificação, vinculada à Presidência da República.
Giovanelli destacou a necessidade de fortalecer a estrutura administrativa e orçamentária para cumprir a meta de restauração.
Compromisso em números
A meta de restauração faz parte das metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN), um compromisso voluntário estabelecido por mais de 130 países. Para cumprir as metas LDN, o Brasil precisa aumentar ou manter a quantidade de terras saudáveis e produtivas em seu território.
O país usa como referência o ano de 2020, quando detinha 55,7 milhões de hectares com tendência à degradação. Para cumprir o compromisso de neutralidade, precisa chegar em 2030 com, pelo menos, o mesmo número.


