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A dois quilômetros de distância, apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se manifestaram no centro de Brasília, na véspera das eleições presidenciais. Houve provocações entre os grupos, mas a palavra democracia foi repetida dos dois lados.
Por Robson Silva Moreira
Distância física e ideológica
A distância física de dois quilômetros entre os atos de Lula e Flávio Bolsonaro simbolizou a divisão ideológica entre os apoiadores dos dois candidatos. Os simpatizantes de Lula se concentraram nas imediações do Museu Nacional, enquanto os de Flávio foram para a Torre de TV.
Apesar das provocações, ambos os lados destacaram a importância da democracia. A arquiteta Hanna Brandini, de 33 anos, que participou do ato de Lula, afirmou que a campanha foi marcada por muita desinformação, mas que os desentendimentos podem ser momentâneos.
Diversidade de opiniões entre os manifestantes
Entre os manifestantes, houve relatos de intolerância e de afastamento de amigos e familiares devido a divergências políticas. O bacharel em direito Leonardo, de 36 anos, disse ter desfazido muitas amizades e se sentido discriminado nos últimos anos.
Por outro lado, as amigas Lana Wendy Rodrigues e Dayane Gomes, moradoras de Sobradinho 2, na periferia do Distrito Federal, afirmaram que evitam ‘conversas de política’ no dia a dia para evitar conflitos.
Primeiro voto e expectativas
Jovens que votarão pela primeira vez também participaram dos atos. Maria Eduarda Nascimento, de 18 anos, estava empolgada com o primeiro voto e disse ter sido influenciada pelo pai e amigos da igreja evangélica que frequenta.
As irmãs gêmeas Laila e Melissa Lacerda, de 16 anos, também estavam entusiasmadas com a participação dos mais jovens nos atos. Elas destacaram a importância do ensino público e gratuito e do desarmamento.
Mudança de opinião e proteção de minorias
O casal José Pedro Oliveira e Ana Carolina Campos, que votaram em Jair Bolsonaro em 2018, mudaram de opinião após o filho adolescente ficar em perigo de morte com covid-19. Eles agora apoiam Lula e destacam a importância de combater o negacionismo.
Um grupo de amigos que participou do ato de Lula enfatizou a necessidade de proteção de pessoas negras e LGBTs e a regulamentação das redes sociais, que, segundo eles, abriram um abismo entre os brasileiros.


